Você busca melhorar seu desempenho físico e sua autoestima, mas está preocupado com os efeitos dos anabolizantes no seu coração? Você não está sozinho. Muitos pacientes passam por essa mesma dúvida, e minha missão é ajudar você a tomar decisões seguras para sua saúde.
A Dra. Maíra é cardiologista, com experiência em lidar com os efeitos colaterais de anabolizantes, atuando com base nas melhores evidências cientificas para cuidar da sua saúde cardiovascular.

Índice
- Quais são os hormônios envolvidos na função sexual?
- Quando está indicado a prescrição de testosterona: Reposição hormonal x uso recreacional
- Como os anabolizantes afetam o seu coração e sua saúde?
- Avaliação cardiovascular no paciente em uso de anabolizantes
- Como tratar as complicações cardiovasculares em pacientes em uso de anabolizantes?
- Conclusão
Quais são os hormônios envolvidos na função sexual?
A testosterona é um hormônio esteroidal natural andrógeno produzido principalmente nos testículos (em homens) e em menores quantidades nos ovários (em mulheres) e nas glândulas adrenais (em ambos os sexos). Ela desempenha funções essenciais em diversas áreas do organismo:
1. Funções na Reprodução e Desenvolvimento Sexual
- Desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos (durante a vida fetal).
- Puberdade masculina: Estimula o crescimento dos testículos, pênis, próstata e vesículas seminais.
- Libido (desejo sexual) em homens e mulheres.
- Produção de espermatozoides (espermatogênese).
- Características sexuais secundárias:
– Aumento de pelos corporais (barba, peito, etc.).
– Alargamento da laringe (voz mais grossa).
– Aumento da massa muscular e densidade óssea.
2. Funções Metabólicas e Musculares
- Aumento da síntese proteica → crescimento e reparação muscular.
- Redução do acúmulo de gordura (principalmente abdominal).
- Aumento da força e resistência física.
- Estimula a produção de glóbulos vermelhos (eritropoiese) na medula óssea.
3. Funções Ósseas e de Crescimento
- Aumento da densidade mineral óssea (previne osteoporose).
- Fechamento das epífises ósseas (cessa o crescimento linear no final da puberdade).
4. Funções Cognitivas e Comportamentais
- Influência no humor e bem-estar (baixos níveis podem causar depressão e fadiga).
- Aumento da competitividade e agressividade (em níveis moderados).
- Melhora da cognição e memória (alguns estudos sugerem efeitos neuroprotetores).
5. Outras Funções Importantes
- Regulação do sistema cardiovascular (influencia pressão arterial e saúde vascular).
- Controle da sensibilidade à insulina (ajuda no metabolismo da glicose).
- Manutenção da pele e cabelo (mas níveis altos podem causar acne e calvície androgenética).

Além da testosterona, temos outros hormônios e substâncias no corpo envolvidas na função sexual de uma pessoa:
– Globulina ligadora de hormônios sexuais, ou SHB: É uma proteína produzida no fígado que se liga a hormônios sexuais como testosterona e estradiol, transportando-os na corrente sanguínea e regulando a quantidade de hormônios livres e disponíveis para ação nos tecidos.
– LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante) são hormônios produzidos pela hipófise (glândula localizada no cérebro) que desempenham um papel fundamental na reprodução masculina e feminina. Em mulheres, o FSH estimula o crescimento dos folículos ovarianos que contêm os óvulos, e o LH desencadeia a ovulação, liberando o óvulo maduro dos folículos. Em homens, o FSH estimula as células de Sertoli nos testículos, que auxiliam no desenvolvimento e na maturação dos espermatozoides, e o LH estimula as células de Leydig nos testículos, que produzem testosterona.
Quando está indicado a prescrição de testosterona: Reposição hormonal x uso recreacional
Existem doenças que alteram os níveis de testosterona no corpo, e trazem sintomas associados a esse déficit hormonal.
1. Hipogonadismo primário (hipergonadotrófico):
- Causas: Síndrome de Klinefelter, orquite, trauma/cirurgia testicular, quimioterapia/radioterapia.
- Diagnóstico: Níveis baixos de testosterona + LH/FSH elevados.
2. Hipogonadismo secundário (hipogonadotrófico):
- Causas: Tumores hipofisários, hiperprolactinemia, síndrome de Kallmann, obesidade, diabetes, uso crônico de glicocorticoides ou opioides.
- Diagnóstico: Níveis baixos de testosterona + LH/FSH normais ou baixos.
3. Sintomas clínicos associados:
- Diminuição da libido, disfunção erétil.
- Fadiga, redução de massa muscular e força.
- Aumento de gordura corporal.
- Osteoporose ou osteopenia, com maior risco de fraturas.
- Depressão, irritabilidade, dificuldade de concentração
- Queda na produção de espermatozoides (infertilidade).
Na presença desses sintomas, quando há suspeita de desregulação hormonal, é importante buscar avaliação médica (endocrinologista ou urologista) para realizar os exames e tratamento adequado.
As sociedades de Endocrinologia apresentam critérios bem definidos de testosterona baixa:
- Testosterona total < 300 ng/dL (ou < 10,4 nmol/L) em pelo menos duas dosagens matinais (7h-10h).
- Em homens com testosterona total entre 300-350 ng/dL, pode-se medir a testosterona livre (especialmente em idosos ou obesos, onde a SHBG pode estar alterada).
A reposição hormonal com testosterona (TRT – Terapia de Reposição de Testosterona) é indicada para homens com hipogonadismo confirmado por sintomas clínicos e níveis séricos baixos de testosterona. Ela visa manter a testosterona no corpo em níveis fisiológicos, ou seja, níveis habituais para o corpo humano, dentro da faixa de normalidade para pessoas saudáveis. Não há a indicação de manter níveis supra fisiológicos, acima dos níveis normais.
Uma vez iniciada a reposição hormonal, seu médico vai acompanhar a testosterona pelos seus exames de sangue. Níveis séricos alvo são os valores de exame que seu médico vai desejar alcançar. Em geral, esses são os objetivos:
- Testosterona total: 400-700 ng/dL (13,9-24,3 nmol/L) – dentro da faixa fisiológica média para homens jovens.
- Testosterona livre: ≥ 5-9 ng/dL (varia conforme método de dosagem).
- Evitar níveis > 1000 ng/dL (risco de policitemia, apneia do sono, piora de hiperplasia prostática).
Os pacientes em TRT devem ser acompanhados por endocrinologista experiente, para monitorizar as reações adversas e potenciais complicações. Esse monitoramento, de forma geral, deve ocorrer em 3 a 6 meses após início das medicações, e vai envolver a análise de exames laboratoriais e uma avaliação clínica:
- Testosterona total e livre, hemoglobina/hematócrito (risco de policitemia), PSA (em homens > 40 anos ou com história familiar de câncer de próstata).
- Avaliação de sintomas e efeitos colaterais (retenção hídrica, acne, ginecomastia).
Existem algumas condições de saúde em que a TRT não deve ser usada. São as chamadas contraindicações, que incluem:
- Câncer de próstata ou mama.
- Hematócrito > 54%.
- Apneia obstrutiva do sono grave.
Quando o paciente apresenta um diagnóstico de hipogonadismo, com indicação de Terapia de Reposição de Testosterona, prescrita em doses corretas e individualizada para aquele paciente, para manter a testosterona sérica na faixa fisiológica, com uma monitorização periódica e acompanhamento de saúde adequado feito por um endocrinologista qualificado, o uso da testosterona é seguro.

Por outro lado, quando usamos de medicamentos para ganho de massa muscular e para alcançar objetivos como aumento da virilidade e redução de fadiga, fora de um contexto de hipogonadismo, sem uma indicação médica bem definida, e muitas vezes com doses abusivas, chamamos de uso recreacional.
Como os anabolizantes afetam o seu coração e sua saúde?
Existem vários tipos de medicação que estão sendo usadas nesse contexto recreacional. Vamos falar sobre algumas delas, e como elas podem afetar a saúde cardíaca e global.
- Testosterona: gel transdérmico ou adesivo de testosterona, Testosterona cipionato/enantato injetável, Undecanoato de testosterona intramuscular ou oral.
- Esteroides anabolizantes androgênicos: nandrolona, estanozolol, trembolona.
- Outros: Tamoxifeno, Anastrozol e Tadalafila.
Testosterona e Esteroides Anabolizantes
É importante ressaltar que existe uma diferença entre esteroides anabolizantes e testosterona. A testosterona é um hormônio esteroidal natural que o nosso corpo produz. Já os esteroides anabolizantes androgênicos são derivados sintéticos ou modificações da testosterona, projetados para maximizar efeitos anabólicos (ganho muscular) e minimizar efeitos androgênicos (como virilização).
Em relação aos efeitos cardiovasculares, sabemos que a Terapia de Reposição Hormonal com Testosterona é segura, quando indicada para tratamento de alguma doença e em doses fisiológicas, e quando o monitoramento do seu uso é feito corretamente. Em doses supra fisiológicas ela está associada a diversos riscos, similares aos dos esteroides anabolizantes, mas em menor intensidade.
Já os esteroides anabolizantes podem ser tóxicos para o sistema cardiovascular mesmo em ciclos curtos, com danos dose dependentes e parcialmente irreversíveis. Isso ocorre pois eles têm afinidade 5× maior por receptores androgênicos que a testosterona. Além disso, a testosterona é convertida em estradiol, modulando efeitos colaterais, o que não ocorre com os esteroides anabolizantes. Isso exacerba o risco de complicações associados ao seu uso.

Entre essas toxicidades, podemos citar:
1. Impacto Endócrino
- Supressão do eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal (cadeia de produção que regula os níveis dos hormônios pelo nosso corpo), levando a:
– Redução na produção natural de testosterona.
– Atrofia testicular e infertilidade temporária.
- Risco de ginecomastia devido ao desequilíbrio entre andrógenos e estrogênios.
2. Efeitos Hepáticos
- Elevação de enzimas hepáticas (ALT, AST), indicando possível toxicidade.
- Maior risco de tumores hepáticos (adenomas) com uso prolongado.
3. Efeitos Psiquiátricos e Comportamentais
- Aumento de agressividade, irritabilidade e transtornos de humor.
- Maior prevalência de dependência psicológica.
4. Outros Efeitos
- Acne grave e alopecia androgenética.
- Tendinopatias e maior risco de rupturas musculares.
5. Efeitos cardiovasculares:
O uso de testosterona está associado a uma série de alterações cardiovasculares, muitas das quais aumentam o risco de eventos agudos (como infarto e AVC) e complicações crônicas (como insuficiência cardíaca e aterosclerose). Esses riscos são documentados por estudos sérios, com evidências científicas robustas e inegáveis.
Hipertensão Arterial
Usuários de anabolizantes apresentaram pressão arterial sistólica significativamente maior (≈ +10 mmHg) em comparação com não usuários. A hipertensão persiste mesmo durante ciclos intermitentes (“on-off”). Os mecanismos envolvidos na elevação da pressão arterial nesse contexto são:
- Retenção de sódio e água devido à ativação dos receptores de mineralocorticoides.
- Aumento da vasoconstrição por desequilíbrio entre óxido nítrico (vasodilatador) e endotelina-1 (vasoconstritor).
- Hipertrofia vascular e redução da complacência arterial.
Dislipidemia e Aterosclerose
O uso de anabolizantes está associado a redução do HDL (colestol bom) e aumento do LDL (colesterol ruim). Leva também a um risco aumentado de doença arterial coronariana precoce (obstruções dos vasos que levam sangue para o coração) e doença cerebrovascular (obstruções dos vasos que levam sangue para o cérebro), aumentando o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Os mecanismos envolvidos nesse processo são:
- Redução do HDL (“colesterol bom”) devido à supressão da enzima lipoproteína lipase.
- Aumento do LDL e VLDL (“colesterol ruim”) por estímulo hepático à produção de apoB.
- Oxidação acelerada de LDL, promovendo inflamação vascular e formação de placas ateroscleróticas.
Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE) e Fibrose Miocárdica
O uso de anabolizantes está associado ao aumento e enrijecimento do coração. Esse aumento do coração é chamado de HVE. 30% dos usuários crônicos apresentaram HVE em ecocardiograma. Isso está associado a ocorrência de insuficiência cardíaca e de arritmias ventriculares e risco de morte súbita (em casos extremos). Isso ocorre principalmente por ativação de receptores androgênicos no miocárdio → proliferação de cardiomiócitos e deposição de colágeno.

Trombose e Disfunção Endotelial
O uso de anabolizantes leva a maior incidência de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar. Pode causar lesões e mau funcionamento nas paredes dos vasos sanguíneos, o que chamamos de disfunção endotelial, o que também contribui para a aterosclerose precoce em diversos vasos do corpo. Isso acontece devido a:
- Aumento da agregação plaquetária e redução da fibrinólise (↑ PAI-1).
- Lesão endotelial por estresse oxidativo e inflamação (↑ PCR-us e citocinas pró-inflamatórias).
Arritmias Cardíacas
Além de arritmias ventriculares graves em pacientes com HVE e fibrose cardíaca, os anabolizantes podem gerar arritmias mesmo quando o coração ainda não aumentou. Existem registros de fibrilação atrial e extrassístoles ventriculares em usuários de anabolizantes, devido a:
- Desequilíbrio eletrolítico (hipocalemia por diuréticos usados em “ciclos de secagem”).
- Fibrose miocárdica alterando a condução elétrica.
De forma resumida e simplificada, os anabolizantes podem gerar efeitos cardíacos de forma agudos e/ou crônica:
- Curto Prazo: Picos hipertensivos, angina e arritmias (especialmente em usuários com doença coronariana não diagnosticada).
- Longo Prazo: Aterosclerose acelerada, insuficiência cardíaca diastolic (por HVE) e maior risco de infarto/AVC.
Nós sabemos que os efeitos cardiovasculares podem ser irreversíveis mesmo após a suspensão dos anabolizantes, especialmente em usuários de longa data e em doses maiores. A monitorização com ecocardiograma, lipidograma e avaliação da pressão arterial é essencial para atletas que insistem no uso dessas substâncias.
Outras medicações
Não são anabolizantes clássicos, mas são frequentemente usados por praticantes de musculação e atletas para mitigar os efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes ou para potencializar seus resultados.
1. Tamoxifeno (Anti-estrogênico)
· Uso: Medicação envolvida no metabolismo do estrógeno, hormônio feminino. Formalmente indicada para tratamento de alguns tipos de cânceres de mama. No contexto de anabolismo, age ao bloquear os receptores de estrogênio, reduzindo efeitos como ginecomastia (aumento da mama) e retenção hídrica causados por esteroides. Também é usado como terapia após ciclo de uso de anabolizantes, para recuperar a produção natural de testosterona.
· Riscos:
- Aumento do risco de trombose.
- Alterações de humor e depressão.
- Possível resistência à insulina.
- Danos hepáticos em uso prolongado.
2. Anastrozol (Inibidor de Aromatase)
· Uso: Medicação envolvida no metabolismo do estrógeno, hormônio feminino. Formalmente indicada para tratamento de alguns tipos de cânceres de mama. No contexto de anabolismo, reduz a conversão de testosterona em estrogênio, evitando ginecomastia e retenção de líquidos.
· Riscos:
- Redução excessiva de estrogênio → dor articular, perda de libido, fadiga.
- Osteoporose em uso prolongado (o estrogênio é importante para a saúde óssea).
- Aumento do colesterol LDL (“ruim”), aumento da pressão arterial e aumento do risco cardiovascular (possivelmente aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio e AVC).
3. Tadalafila (Vasodilatador)
· Uso: Medicação usada para tratamento de disfunção erétil e no tratamento de alguns tipos Melhora o fluxo sanguíneo, sendo usado para combater a disfunção erétil causada por esteroides e para potencializar o “pump” muscular durante os treinos.
· Riscos, quando usados de forma inadequada:
- Hipotensão (pressão baixa) e tonturas.
- Taquicardia e risco de infarto em pessoas predispostas.
- Dores de cabeça e congestão nasal.
- Desequilíbrio hormonal (queda de testosterona natural, infertilidade).
- Danos ao fígado e rins (especialmente com uso crônico).
- Efeitos psicológicos (depressão, ansiedade, irritabilidade).
Avaliação cardiovascular no paciente em uso de anabolizantes
Os pacientes em uso de testosterona e esteroides anabolizantes devem ser avaliados por um cardiologista, considerando as evidências dos efeitos cardiovasculares associados ao uso dessas substâncias.
Os testes recomendados para a avaliação cardiovascular incluem a medição da pressão arterial, perfil lipídico (incluindo HDL e LDL) de forma periódica.
Em geral, o perfil lipídico deve ser avaliado a cada 6 a 12 meses, dependendo do risco cardiovascular individual e das alterações observadas nos exames anteriores.
A monitorização da pressão arterial em pacientes que utilizam testosterona e esteroides anabolizantes deve ser realizada com frequência adequada para garantir um diagnóstico precoce da hipertensão arterial sistêmica e o controle eficaz da pressão arterial, para minimizar o risco de complicações cardiovasculares. De acordo com as diretrizes da American Heart Association, é razoável medir a pressão arterial em cada visita clínica para aumentar a conscientização sobre a hipertensão. Para pacientes com hipertensão estabelecida que estão em tratamento medicamentoso, recomenda-se que retornem aproximadamente em intervalos mensais após o início ou ajuste da medicação até que a pressão arterial atinja o objetivo desejado.

A realização de eletrocardiogramas (ECG) de rotina em pacientes que utilizam testosterona e esteroides anabolizantes não é universalmente recomendada, mas pode ser considerada com base no risco cardiovascular individual e nos efeitos potenciais dessas substâncias. A literatura médica sugere que, em pacientes com risco cardiovascular elevado ou com sintomas sugestivos de complicações cardíacas, a realização de ECG pode ser útil como parte de uma avaliação mais abrangente, que também pode incluir ecocardiogramas para avaliar a função ventricular e a presença de hipertrofia miocárdica.
Como tratar as complicações cardiovasculares em pacientes em uso de anabolizantes?
O manejo das complicações cardiovasculares em pacientes que utilizam testosterona ou esteroides anabolizantes deve seguir as recomendações das diretrizes específicas de cada situação, com atenção especial ao contexto do uso dessas substâncias, que frequentemente ocorre em doses supra fisiológicas e fora de indicações aprovadas.
- Dislipidemia: O uso de androgênios, especialmente em doses suprafisiológicas, está associado a redução significativa do HDL-C e aumento do LDL-C e, ocasionalmente, dos triglicerídeos. Esses efeitos tendem a ser reversíveis após a suspensão dos esteroides, mas enquanto persistirem, recomenda-se manejo agressivo, com possível adoção de metas mais baixas para LDL para prevenção de eventos cardiovasculares como AVC ou infarto agudo do miocárdio. O perfil lipídico deve ser monitorado periodicamente, e a introdução ou ajuste de estatinas e outros hipolipemiantes, além de orientações alimentares, deve seguir as diretrizes usuais para prevenção cardiovascular, considerando o risco aumentado nesse grupo.
- Hipertensão: A testosterona pode elevar a pressão arterial, aumentando o risco cardiovascular ao longo do tempo. Recomenda-se monitorização regular da pressão arterial e, caso haja elevação, iniciar ou ajustar terapia anti-hipertensiva conforme as diretrizes para hipertensão arterial sistêmica. Em casos de hipertensão não controlada, a suspensão da testosterona deve ser considerada.
- Arritmias: O uso abusivo de esteroides pode predispor a distúrbios eletrolíticos, hipertrofia ventricular e alterações estruturais que favorecem arritmias. O manejo segue os protocolos usuais para arritmias, com investigação de causas secundárias e correção de distúrbios metabólicos.
- Hipertrofia miocárdica: O uso crônico de esteroides anabolizantes pode levar à hipertrofia ventricular, com risco de insuficiência cardíaca e arritmias. O acompanhamento deve incluir avaliação ecocardiográfica periódica e manejo dos fatores de risco cardiovascular. A suspensão dos esteroides é recomendada diante de alterações estruturais cardíacas, e o tratamento segue as diretrizes para insuficiência cardíaca.
Em todos os casos, a suspensão do uso de esteroides anabolizantes deve ser considerada, pois muitos dos efeitos adversos cardiovasculares são reversíveis após a interrupção. O acompanhamento deve ser multidisciplinar, com monitorização de perfil lipídico, pressão arterial, função cardíaca e avaliação de outros fatores de risco cardiovascular. O manejo das complicações deve seguir as diretrizes estabelecidas para cada condição, com atenção ao risco aumentado nesses pacientes.
Conclusão
Embora a reposição hormonal de testosterona tenha indicações médicas legítimos, seu uso no contexto recreativo como coadjuvantes em ciclos anabólicos, principalmente quando na forma de esteroides anabolizantes, pode levar a complicações graves da saúde cardiovascular.
Se o objetivo é melhorar o desempenho físico, a abordagem mais segura ainda é otimizar treino, dieta e descanso, evitando o uso de substâncias sem prescrição médica.
O uso de qualquer substância que altere o sistema endócrino deve ser supervisionado por um médico especializado e competente. Os efeitos dessas medicações devem ser monitorizados, e as potenciais complicações devem ser rastreadas e tratadas, quando existentes.
Se você está em uso de tratamento anabolizante ou gostaria de tirar suas dúvidas sobre o tema, agende uma consulta com a Dra. Maíra.

Saiba mais:
Health effects of androgen abuse: a review of the HAARLEM study
Leia também: